Preparação, taça e temperatura corretas
Uma boa degustação começa antes do primeiro gole. Use taça de cristal transparente, com bojo amplo e abertura mais estreita, que concentra os aromas. Sirva entre um terço e metade da taça, nunca cheia. Espumantes e brancos leves entre 6 e 10 graus. Brancos encorpados e rosés entre 10 e 12. Tintos leves entre 14 e 16. Tintos encorpados entre 16 e 18. Tinto servido quente parece alcoólico, branco gelado demais perde aroma.
Análise visual, o que a cor revela
Incline a taça sobre um fundo branco e observe três aspectos. A limpidez, um vinho deve ser brilhante e translúcido, salvo exceções como vinhos naturais não filtrados. A cor, que indica idade e estilo. Tintos jovens são rubi vivo com reflexos violáceos, tintos evoluídos ganham tons granada e tijolo. Brancos jovens são palha esverdeado, brancos com madeira ou idade ficam dourados. A lágrima, gotículas que escorrem na parede da taça, sugere álcool e açúcar residual.
Análise olfativa, o coração da degustação
Cerca de oitenta por cento do que chamamos de sabor é, na verdade, aroma. Aproxime o nariz da taça parada e identifique os aromas primários, ligados à uva, frutas, flores, ervas. Gire a taça para liberar mais voláteis e busque os aromas secundários, gerados pela fermentação, manteiga, pão, iogurte. Em vinhos maduros, os aromas terciários, evolutivos, aparecem, couro, tabaco, cogumelo, especiarias doces, mel.
Construa um vocabulário pessoal. Use referências do dia a dia, geleia de amora, casca de laranja, alecrim, café torrado. Quanto mais palavras você associar a aromas concretos, mais fina fica sua memória olfativa. Beber sempre o mesmo vinho atrofia o paladar, variar amplia o repertório.
Análise gustativa, equilíbrio acima de tudo
Tome um gole pequeno e deixe o vinho percorrer toda a boca. Avalie cinco eixos. Doçura, do seco ao doce. Acidez, que dá frescor e salivação. Taninos, presentes em tintos, que provocam adstringência e secam a língua. Álcool, percebido como calor na garganta. Corpo, a sensação de peso e densidade. Um grande vinho integra esses elementos sem que nenhum deles grite mais alto que os outros.
Por fim, observe a persistência aromática, o tempo em que o sabor permanece depois de engolir. Vinhos curtos somem em poucos segundos. Vinhos longos deixam ecos de aroma por trinta segundos ou mais, sinal de qualidade. Cuspir nas provas técnicas é normal e necessário, permite avaliar muitos vinhos sem perder a clareza.
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